Por: Redação

10 de dezembro de 2021 Empreendedorismo Nenhum Comentário

Resenha por Lanay Vasques Codulo 

O documentário Tudo é um Remix, do cineasta, diretor e palestrante Canadense Kirby Ferguson, trata-se de uma obra dividida em quatro partes bem marcadas que por meio de gráficos, recursos digitais animados e múltiplos exemplos presentes na internet, mostra que tudo o que conhecemos sendo novo e moderno, na verdade é uma coletânea de diversos modelos de sucesso já existentes. 

A criatividade, assim como a originalidade, no meio artístico, científico e social é posta à prova diariamente. Sempre se questiona de onde vieram tais ideias geniais, como conseguiram chegar a esta conclusão, invenção, descoberta, produção, é uma busca constante para os produtores em diversas áreas. Segundo a obra de Ferguson, nada é exclusivamente original, nenhuma ideia ou invenção genial é especificamente nova, e nenhuma descoberta é fruto de uma única mente brilhante. 

Utilizando grandes exemplos como Led Zeppelin, Quentin Tarantino, George Lucas com Star Wars, Steve Jobs, entre outros, a obra detalha como a atividade de copiar, transformar e combinar fórmulas passadas de sucesso, foi e continuam sendo a chave para seus feitos. A ideia central do documentário de 34 minutos baseia-se na citação de Isaac Newton: “Eu avistei mais longe do que muitos, porque fiquei de pé em ombros de gigantes”, parece algo prepotente, um pensamento mesquinho, entretanto, é a mais pura realidade, assim como Lavoisier dizia que “nada se cria, tudo se transforma” o mundo só possui grandes nomes, grandes descobertas e grandes inovações, por conta dos grandes nomes, descobertas e inovações que os antecederam. O futuro só é possível graças ao passado. 

Utilizando esta linha de raciocínio, Kirby Ferguson desmistifica a ideia de cópia como algo ruim, para algo inevitável, com a cópia surgem transformações, adaptações. Deste modo surgiu a cultura pop que temos nos dias atuais, a cultura que a antecedeu e deste mesmo modo irão surgir as próximas e próximas. Tal pensamento é comprovado na parte três do documentário, quando o autor divaga sobre as “Múltiplas Descobertas” apontando que caso, por exemplo, Newton não tivesse inventado o cálculo, Gottfried Leibniz o faria. Portanto seria inevitável as evoluções que o mundo possui. 

Portanto, pode-se fazer ,com pensamento de Ferguson, uma analogia em que os produtos da humanidade, suas conquistas e descobertas são uma grande colaboração, a indústria artística no geral pode ser exemplificada como uma grande corporação, um acervo para novas produções, exatamente como a comunidade científica e tecnológica. Claro que tal “compartilhamento” de resultados gera um certo incômodo, revolta, quando outros utilizam do seu, mesmo que o seu utilizou de outrem, exposta na quarta e última parte do vídeo. 

Ao final do vídeo, o espectador vê-se questionando tudo ao seu redor, todas as certezas, surge um novo olhar, o documentário de Kirby Ferguson tira a imagem de gênio sobre um único alguém e espalha para um campo imenso de nomes que não são contemplados com tal visibilidade. A obra de Ferguson lançada em 2010 é, e continuará sendo atual mesmo depois de anos de seu lançamento. 

Caso tenha se interessado nas obras do autor, Ferguson lançou em 2015 uma continuação para “Tudo é um Remix”, trata-se de outro “documentário escrito em parcelas”, chama-se This is not a Conspiracy Theory, onde aborda a necessidade do ser humano de ter respostas onde não existem, explorando recursos gráficos e prendendo a atenção do começo ao fim, é uma ótima indicação para quem ficou impressionado com o trabalho de Kirby Ferguson.